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Jiboia Mais Rara do Mundo é vista pela primeira vez no Vale do Ribeira em Juquiá (SP)

Aparição mobilizou buscas pela espécie por especialista e ações de preservação ambiental no Vale do Ribeira

Fagner Vieira
Por: Fagner Vieira Fonte: G1 Santos
05/04/2025 às 16h36 Atualizada em 05/04/2025 às 17h20
Jiboia Mais Rara do Mundo é vista pela primeira vez no Vale do Ribeira em Juquiá (SP)
Jiboia Mais Rara do Mundo é vista pela primeira vez no Vale do Ribeira em Juquiá (SP) / Foto: Reprodução

A descoberta de uma jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), considerada uma das serpentes mais raras do mundo, mobilizou pesquisadores e ambientalistas em Juquiá, no interior de São Paulo. A espécie, ameaçada de extinção, foi avistada pela primeira vez na cidade, reforçando a importância da preservação da biodiversidade no Vale do Ribeira. O registro, feito por um morador local, gerou ações de conscientização e monitoramento para garantir a proteção desse animal único. 

A jiboia-do-ribeira foi encontrada em uma estrada rural, onde um morador a confundiu inicialmente com uma jararacuçu (Bothrops jararacussu). No entanto, suas características distintas chamaram a atenção, levando à identificação correta da espécie. O biólogo Jader Costa, especialista em conservação de serpentes, foi acionado para investigar o caso, destacando a raridade do achado e a necessidade de medidas protetivas. 

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Esta não é a primeira vez que a espécie é registrada no Vale do Ribeira. Em 2017, após seis décadas de buscas, pesquisadores do Museu de Zoologia da USP e do Instituto Butantan encontraram um exemplar macho na região. Desde então, outros indivíduos foram avistados em Sete Barras, em 2020 e 2022, reforçando a relevância ecológica dessa área para a sobrevivência da espécie. 

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A Busca pela Jiboia-do-Ribeira no Vale do Ribeira 

Após receber o vídeo gravado pelo morador em 25 de março, a Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura de Juquiá entrou em contato com Jader Costa para iniciar uma busca ativa. Dois dias depois, uma equipe de especialistas percorreu a região do bairro Caçula, onde o animal foi avistado, mas não conseguiu localizá-lo novamente. 

"Procuramos vestígios e possíveis locais por onde ela poderia ter passado, mas não tivemos sucesso em encontrá-la", explicou Costa. Apesar disso, a equipe realizou uma ação educativa, distribuindo panfletos informativos sobre a espécie para moradores e motoristas que transitavam pela estrada. Além disso, reuniões foram realizadas na prefeitura para discutir estratégias de conservação da Corallus cropanii. 

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Educação Ambiental e Preservação no Vale do Ribeira 

Como parte das ações de conscientização, Jader Costa foi convidado a palestrar em uma escola municipal no bairro onde a jiboia foi avistada. Durante o evento, os alunos aprenderam sobre a importância da biodiversidade e a raridade da espécie. "Falamos sobre a preservação, a relevância da Corallus cropanii para a região e por que ela é considerada uma das serpentes mais raras do mundo", destacou o biólogo. 

A equipe também apresentou equipamentos de resgate e explicou o trabalho dos biólogos no monitoramento de espécies ameaçadas. A iniciativa teve grande receptividade, e os pesquisadores planejam retornar à comunidade para continuar as buscas e o diálogo com os moradores. "É fundamental que a população compreenda a importância de proteger essa serpente e seu habitat", afirmou Costa. 

Características e Raridade da Jiboia-do-Ribeira 

Descrita pela primeira vez em 1953 pelo herpetólogo Alphonse Richard Hoge, do Instituto Butantan, a jiboia-do-ribeira é uma espécie endêmica do Vale do Ribeira. Diferente de outras serpentes, ela não é venenosa e possui características marcantes, como a coloração amarela no ventre e sob a boca, além de manchas escuras no dorso. 

Segundo Jader Costa, o comportamento arbóreo da espécie dificulta sua visualização. "Ela vive nas copas das árvores, o que a torna extremamente difícil de ser avistada. A maioria dos registros conhecidos foi feita com exemplares já mortos", explicou. Atualmente, existem poucos indivíduos vivos documentados, o que torna cada avistamento um evento de grande relevância científica. 

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Ameaças e Medidas de Conservação 

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) classifica a jiboia-do-ribeira como Vulnerável (VU) em sua lista de espécies ameaçadas. Carlos Abrahão, coordenador do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada do Sudeste, alertou para os riscos do tráfico de animais e da destruição do habitat natural da espécie. 

"É essencial que a população de Juquiá e toda a região do Vale do Ribeira conheça a importância dessa serpente e participe de sua proteção", afirmou Abrahão. Ele também destacou que uma série de ações estão sendo planejadas para garantir a conservação da espécie, incluindo monitoramento contínuo e campanhas de educação ambiental. 

O Vale do Ribeira como Refúgio da Biodiversidade 

A descoberta da jiboia-do-ribeira em Juquiá reforça a importância do Vale do Ribeira como um dos principais refúgios de biodiversidade do Brasil. A região, conhecida por sua riqueza ambiental, abriga diversas espécies endêmicas e ameaçadas, destacando a necessidade de políticas públicas eficientes para sua preservação. 

Além da Corallus cropanii, a área é habitat de outras serpentes raras, aves e mamíferos que dependem da Mata Atlântica preservada. Ações como o combate ao desmatamento, o fomento ao ecoturismo e a conscientização das comunidades locais são fundamentais para garantir a sobrevivência dessas espécies. 

Um Chamado para a Preservação 

O registro da jiboia-do-ribeira no Vale do Ribeira é um alerta para a urgência de medidas conservacionistas. Cada avistamento dessa espécie rara representa uma oportunidade única de estudo e proteção, reforçando a necessidade de investimentos em pesquisa e educação ambiental. 

Enquanto os biólogos continuam suas buscas pelo exemplar avistado em Juquiá, a população local tem um papel crucial nesse processo. Ao relatar novos avistamentos e evitar a captura ou perseguição desses animais, os moradores contribuem diretamente para a preservação de uma das serpentes mais raras do mundo e para a manutenção da biodiversidade no Vale do Ribeira. 

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