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Novos mecanismos vão acelerar acesso das mulheres aos cargos de alta gestão do Tesouro Nacional

Pontuação diferenciada em processos seletivos e projeto de aceleração da experiência executiva para mulheres foram anunciados nesta quarta-feira

Fagner Vieira
Por: Fagner Vieira
09/03/2023 às 16h05
Novos mecanismos vão acelerar acesso das mulheres aos cargos de alta gestão do Tesouro Nacional

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) lançou nesta quarta-feira (8/3), Dia Internacional das Mulheres, instrumentos para fortalecer a presença feminina em postos de alto escalão e de poder decisório da instituição, para combater a atual disparidade de gênero na distribuição das principais posições hierárquicas na estrutura do órgão. O primeiro mecanismo é a implementação de pontuação diferenciada para mulheres nos processos seletivos da STN. Além disso, será colocado em prática o projeto de aceleração de experiência executiva para mulheres no Tesouro Nacional. Essas propostas foram lançadas na live “Liderança Feminina: expandindo a influência das mulheres na Administração Pública”, realizada para servidoras e demais colaboradores da STN. 

  

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A inclusão de pontuação diferenciada para mulheres nos processos seletivos é uma política afirmativa para equidade de gênero, que será aplicada nos processos seletivos para provimento de cargos e funções comissionadas na STN. O mecanismo, que já obteve parecer favorável da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), prevê a inclusão de dez pontos para as candidatas mulheres em todos os processos seletivos. Os novos critérios estão definidos em portaria assinada pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogerio Ceron.  

  

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O projeto de aceleração de experiência executiva para mulheres no Tesouro Nacional é um programa que cria oportunidades de experimentação executiva para mulheres, visando estimular a autoconfiança na sua capacidade de assumir desafios na carreira. Nos 37 processos seletivos internos de 2022, do total de 74 candidatos, apenas 14 (19%) foram mulheres. Dos 37 selecionados, somente 8 (22%) foram mulheres. 

  

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Com o novo programa, o Tesouro quer estimular a participação feminina nos cargos de alta gestão, acelerando o sentimento do “eu posso”, ou seja, fortalecendo entre as mulheres a convicção da capacidade feminina de exercer funções executivas. O projeto visa permitir que mulheres que estão na base da pirâmide hierárquica do Tesouro ou que ainda não assumiram um cargo de gestão possam vivenciar situações executivas. A meta é gerar um ambiente de trabalho mais diverso, rico e produtivo, com maior equidade e justiça entre homens e mulheres que ocupam os cargos de alta gestão. 

  

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Ceron destacou a importância desses projetos dentro de um conjunto de iniciativas para tornar a instituição mais forte, os servidores mais felizes e mais valorizados, transformando o Tesouro em “uma casa diversa, aberta à inovação”. “Os servidores contarão com meu apoio, com a minha parceria. Me vejam como um aliado, para que a gente possa terminar esse ciclo de gestão com uma importante contribuição para o legado da instituição”, disse o secretário, ao destacar a relevância de medidas que combatam distorções no ambiente da STN e que resultam em condições desiguais de participação entre homens e mulheres.  

  

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A agenda contou com as participações especiais da secretária-adjunta da STN, Viviane Varga, da procuradora federal e assessora especial do ministro da Fazenda Fernanda Santiago; e da especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, doutora em estudos interdisciplinares sobre mulheres, gênero e feminismos, que atualmente trabalha na Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República, Iara Alves. O debate ressaltou a troca de experiências e opiniões sobre a maior participação das mulheres em cargos executivos no setor público, além de reflexões sobre desafios, mudança de paradigma e percepções de futuro para o tema. 

  

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A secretária-adjunta da STN apresentou dados de um diagnóstico quantitativo e qualitativo das diferenças das carreiras entre homens e mulheres no Tesouro Nacional, realizada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “A maior participação de homens no total de servidores da STN não é, em si, um problema para as mulheres. O problema está no fato de o ambiente laboral não ser um espaço promotor da igualdade”, afirmou Viviane Varga. 

  

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“A cultura organizacional da STN se baseia em uma série de estereótipos. Essa foi uma das conclusões do trabalho”, reforçou a Viviane. A pesquisa identificou que uma das crenças é de que as servidoras da STN teriam menor compromisso com suas responsabilidades profissionais do que os homens, porque se dedicariam mais à família do que ao trabalho remunerado, o que não reflete a realidade. “Crenças como essa baseiam as práticas de gestão e concorrem para perpetuar a baixa representatividade das mulheres nos espaços de maior capital político dentro do Tesouro Nacional”, comentou a secretária-adjunta. Os mecanismos de valorização da participação feminina nos cargos de alta gestão lançados nesta quarta-feira são um ponto de partida para reverter a situação, o que permitirá à STN aproveitar a totalidade dos recursos humanos disponíveis. 

  

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“O que a gente reproduz na nossa intuição é preconceito, é discriminação que a gente aprende desde o dia que nasceu, a gente aprende em casa, a gente aprende na escola, a gente aprende assistindo televisão. As soluções não são fáceis”, disse Fernanda Santiago. Mas ela reforçou a importância da adoção de medidas que foquem na construção de um ambiente representativo e democrático institucionalmente, refletindo a real composição da sociedade brasileira, rompendo um ciclo de constantes negações de oportunidades, por preconceitos e de forma discriminatória, seja por cor, raça ou gênero. 

  

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Iara Alves apresentou dados sobre o tema “Burocracia representativa de gênero no Governo Federal”, comprovando a desigualdade de gênero no Poder Executivo. Segundo informações do Painel Estatístico de Pessoal de setembro de 2022, as mulheres representavam 41,4% dos servidores efeitos, mas apenas 29% dos cargos de assessoramento superior de nível 5; 22% dos cargos de nível 6 e somente 8% dos cargos de natureza especial. Quanto maior a remuneração do cargo, maior é o poder de decisão e menor a presença de mulheres, ressaltou a especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, doutora em estudos interdisciplinares sobre mulheres, gênero e feminismos. A participação feminina cai ainda mais quando consideradas somente as mulheres negras (3,8% dos cargos DAS 5 e 3,3% dos DAS 6, enquanto 70,9% dos DAS 6 são ocupados por homens brancos).

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