
O Governo de São Paulo está desenvolvendo um projeto ambicioso para reativar a antiga ligação ferroviária Santos–Cajati, inaugurada originalmente em 1915. A iniciativa, que está sob a condução da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foca na retomada do transporte de passageiros, integração regional, sustentabilidade e, sobretudo, no estímulo ao turismo na região do Vale do Ribeira.
O Vale do Ribeira é amplamente reconhecido como uma das áreas mais preservadas do estado, detentora de um vasto potencial ambiental, incluindo cavernas, parques e remanescentes de Mata Atlântica. A proposta busca alavancar a economia local por meio de um modal de transporte que é considerado alternativo e de menor impacto ambiental.
A ferrovia Santos–Cajati, que no passado ligou a Baixada Santista ao Vale do Ribeira (com a expansão até Cajati nos anos 1980), deve voltar a operar em um corredor de aproximadamente 200 quilômetros.
Pontos-chave da Iniciativa:
Restauração: Recuperação da infraestrutura da linha e modernização das estações históricas.
Operação Híbrida: Combinação de trens de passageiros regionais com um serviço turístico dedicado.
Integração: Estudos para conexão com outras redes ferroviárias estaduais, como o VLT da Baixada Santista e o futuro Trem Intercidades (TIC) Santos–São Paulo.
Impacto na Mobilidade: Oferecer uma alternativa de mobilidade sobre trilhos que contribuirá para reduzir o tráfego rodoviário intenso no litoral sul, beneficiando o deslocamento de moradores do Vale do Ribeira.
O serviço original de passageiros da ferrovia foi encerrado em 1997. As operações de carga seguiram até o início dos anos 2000, sendo interrompidas por deslizamentos. A devolução do trecho ao poder público em 2020 abriu o caminho para que a CPTM iniciasse os estudos de reativação.
O projeto funcional da linha Santos–Cajati está atualmente em elaboração. Esta etapa técnica é crucial para definir os parâmetros necessários para a retomada da operação.
O cronograma de execução prevê que, após a conclusão do projeto funcional, serão realizadas as fases subsequentes, que incluem:
Licenciamento ambiental da obra.
Definição do modelo de operação (regular, turístico ou híbrido).
Contratação e execução das obras de restauração.
O governo paulista confirmou que a nova ferrovia será integrada ao programa SP nos Trilhos, mas o cronograma detalhado e o valor total do investimento ainda não foram amplamente divulgados, dependendo da conclusão dos estudos em andamento.
A reativação da linha é encarada por prefeituras e especialistas como um marco para estimular o turismo sustentável no Vale do Ribeira. A circulação regular de trens é esperada para aumentar o fluxo de visitantes, favorecendo significativamente setores como hotelaria, alimentação e serviços.
Além do benefício econômico, o projeto possui um forte viés de sustentabilidade, conforme destacado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado:
Redução de Emissões: O modal sobre trilhos é uma alternativa de transporte com menor emissão de poluentes em comparação ao rodoviário.
Alívio Rodoviário: Contribuição para a redução do tráfego e congestionamentos nas rodovias litorâneas, especialmente em feriados e fins de semana.
Técnicos da CPTM informam que a sustentabilidade ambiental será um dos critérios centrais para a viabilidade da linha, e os estudos consideram cenários de demanda e matriz energética para orientar a escolha dos trens.
Outro ponto de destaque é o resgate do patrimônio ferroviário, que visa valorizar o acervo cultural e histórico do estado, transformando a ferrovia em um circuito turístico e cultural integrado aos programas de preservação do Vale do Ribeira.
A retomada de uma ferrovia centenária apresenta desafios complexos, como apontam os técnicos: a superação de trechos com erosões e instabilidade geológica, a gestão de passagens urbanas e as ocupações próximas à linha.
Será crucial também definir um modelo de gestão e operação eficaz, que inclua a participação do governo estadual, de concessionárias e de operadores turísticos, garantindo a sustentabilidade financeira e a manutenção contínua do serviço no Vale do Ribeira.