O Parque Estadual Lagamar, localizado no município de Cananéia, no litoral sul de São Paulo, tornou-se o palco de uma ação urgente de conservação da vida silvestre. Foram instalados ninhos artificiais para o Mico-leão-caiçara (Leontopithecus caissara), também conhecido como mico-leão-da-cara-preta. Este primata é classificado como criticamente ameaçado de extinção e não possui indivíduos em cativeiro, tornando sua preservação na natureza uma prioridade global.
A Fundação Florestal (FF), responsável pela gestão da área, alerta para a gravidade da situação. "É uma espécie extremamente ameaçada de extinção. Não tem dessa espécie em nenhum zoológico do mundo. Se ela for extinta aqui, acabou na natureza", enfatizou Edson Mantilha de Oliveira, gestor da FF.
O projeto de preservação foi formalmente iniciado na última sexta-feira (24). Monitores ambientais, integrantes do programa de proteção à espécie estabelecido há cerca de dois anos, foram os responsáveis por levar e instalar os ninhos. O principal objetivo desta iniciativa em Cananéia é estimular o aumento populacional do Mico-leão-caiçara, que é listado entre as espécies de primatas mais ameaçadas do planeta.
"Com certeza está entre as principais espécies de primatas ameaçadas no mundo. Existe uma estimativa de menos de 400 indivíduos na natureza", reforçou Edson, destacando a importância crítica da intervenção.
Nesta fase inicial do projeto, três monitores ambientais foram responsáveis pela instalação de cinco ninhos artificiais. O processo é minucioso e exige conhecimento da mata: a equipe percorreu a floresta em busca do local ideal para fixação das estruturas, que deve ser cercado por árvores nativas robustas.
O Processo de Instalação Inclui:
Preparação do Ninho: Antes de ser elevado, o ninho artificial é preenchido com folhas secas coletadas da própria mata.
Fixação: Utilizando ferramentas e arames, os monitores fixam o ninho na árvore, a uma altura média de cerca de 4 metros do chão.
Tecnologia: Uma câmera é instalada nas proximidades para captação de imagens, permitindo o monitoramento não invasivo dos micos.
Os animais serão monitorados intensivamente por um período inicial que varia de 30 a 60 dias. A instalação dos ninhos tem uma função clara: "A gente vai monitorar, acompanhar, mas é uma tentativa de oferecer ao mico um local de descanso à noite, de dormir, um dormitório. Isso dá mais proteção para ele porque é uma região bastante fria, de muita chuva e vento", explicou o gestor da Fundação Florestal.
Além da instalação dos ninhos, os monitores ambientais utilizam tecnologia para acompanhar a rotina dos primatas nas trilhas. Há cerca de um ano, rádio-colares foram colocados em dois grupos da espécie.
Os rádio-colares emitem um sinal na frequência VHS, que é captado por uma antena utilizada pelos monitores ambientais. Essa técnica de rastreamento é essencial, pois permite que a equipe localize os grupos de micos na densa floresta e atue de forma eficaz na preservação do Mico-leão-caiçara.
De acordo com informações do Guia de Áreas Protegidas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o Parque Estadual Lagamar foi estabelecido em 2008. Ocupando uma área superior a 40 mil hectares, o parque se estende entre os municípios de Cananéia e Jacupiranga.
O Parque Estadual Lagamar constitui o habitat natural do Mico-leão-da-cara-preta, uma espécie endêmica da Mata Atlântica — ou seja, que só existe nesse bioma. Sua ocorrência é restrita à planície costeira do litoral sul de São Paulo e norte do Paraná, abrangendo especificamente os municípios de Guaraqueçaba (PR) e Cananéia (SP), o que sublinha a responsabilidade crítica da região na conservação deste patrimônio biológico.