
A Justiça de São Paulo condenou dois homens acusados de furtar envelopes de depósitos em caixas eletrônicos utilizando um método conhecido como “pescaria”. O caso ganhou destaque pela abrangência da atuação dos criminosos, que passaram por diversas cidades paulistas, incluindo Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira.
O crime que originou o processo aconteceu na tarde de 6 de junho de 2021, quando câmeras de segurança flagraram os dois homens agindo de forma coordenada em três cidades diferentes no mesmo dia. Em Iracemápolis, por exemplo, as imagens mostram o momento em que a dupla se aproxima de um caixa eletrônico do Banco do Brasil e, com um dispositivo artesanal feito de madeira com cola na ponta, consegue “pescar” envelopes contendo dinheiro e cheques que haviam sido depositados por clientes. Em questão de minutos, eles levaram 13 envelopes, somando R$ 13.945,67.
De acordo com o juiz Guilherme Lopes Alves Lamas, da 2ª Vara Criminal de Limeira, a dupla agia com “destreza” e em concurso, repetindo o mesmo modus operandi em diferentes localidades. Relatórios da investigação policial apontam que os dois visitaram agências do Banco do Brasil em Rio Claro, Praia Grande, Garça, Pariquera-Açu, Torrinha, Corumbataí, Cordeirópolis, Santa Gertrudes, Divinolândia, São Miguel Arcanjo, Tietê e Jaci.
Em todas as ações, o método era idêntico: os criminosos inseriam o dispositivo de madeira com cola na boca do terminal para retirar os envelopes antes que fossem recolhidos pelo sistema interno dos bancos.
No dia registrado em Iracemápolis, as filmagens mostram que a dupla já havia atuado em Santa Gertrudes, por volta das 17h38, e, mais tarde, foi flagrada em Cordeirópolis às 20h45. Ambos usavam as mesmas roupas durante todas as ações: um deles vestia blusa preta de manga comprida e bermuda jeans; o outro, blusa vermelha listrada, calça jeans e óculos.
Durante o julgamento, os réus admitiram participação apenas em um furto ocorrido na cidade de Jaci, onde foram presos em flagrante meses depois, mas negaram envolvimento nos outros crimes investigados. Alegaram ainda que estavam sendo injustamente acusados de inúmeros delitos sem provas diretas.
No entanto, o magistrado considerou consistentes os depoimentos de policiais civis e militares que participaram das investigações, além das imagens de segurança e demais documentos apresentados nos autos. Essas provas, segundo o juiz, foram suficientes para confirmar a autoria e materialidade dos crimes.
As sentenças proferidas nesta segunda-feira, 11 de agosto, fixaram a pena de 3 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão para um dos réus e 2 anos, 9 meses e 18 dias para o outro, ambas a serem cumpridas em regime inicial semiaberto, além do pagamento de dias-multa.
Por este processo, os condenados poderão recorrer em liberdade. A condenação não impede que outros inquéritos em andamento, referentes a crimes semelhantes cometidos em Pariquera-Açu e outras cidades do Vale do Ribeira, resultem em novas ações penais contra a dupla.
Com a decisão, a Justiça reforça a importância de investigações integradas e do monitoramento constante de crimes patrimoniais que afetam diretamente a segurança e a economia de municípios do interior paulista, incluindo regiões mais vulneráveis, como o Vale do Ribeira.