Fator Congregador - Oxalá Irradia e estimula a Fé e desperta sentimentos de religiosidade nos seres, além de sustentar a todos que têm fé. É também a Irradiação da paz, da harmonia, da tranquilidade, da serenidade, da esperança, da humildade, da pureza, do perdão, da piedade, da misericórdia, da compaixão, da fraternidade, da irmandade, da compreensão, da tolerância, da conciliação, da resignação etc.
A Regência de Oxalá em nossas vidas se manifesta na necessidade de nos congregarmos, isto é, de nos unirmos a pessoas que tenham as mesmas ideias e ideais.
A Vibração de Oxalá habita em cada um de nós, porém velada pela nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução. É “o nosso Deus interior”, a voz da consciência que tenta nos conduzir por caminhos luminosos, pois traz consigo a memória de outros tempos, o conhecimento empírico, o conhecimento adquirido por experiências anteriores.
As atribuições de Oxalá incluem dar a todos os seres o amparo religioso dos Mistérios da Fé. Mas o ser nem sempre absorve essas irradiações quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado que costuma envolver os espíritos encarnados.
Pai Oxalá é, muitas vezes, chamado de “o maior dos Orixás”. Por quê? Vejamos.
Dentro do conceito das Sete Linhas de Umbanda, que correspondem às Sete Vibrações de Deus, a primeira delas é a Linha ou Vibração da Fé, onde está Oxalá.
Pai Oxalá rege o Sentido da Fé, que é fundamental para a existência de uma religião. Sem Fé não há religião.
Mas o Sentido da Fé não gera apenas aquele sentimento de caráter religioso ou de crença religiosa. Também abrange o ato de crer, de acreditar, sem o qual mais nada existe. Quem não tem o Sentido da Fé bem desenvolvido acaba por não crer em si mesmo, não encontra valor ou significado para a própria vida e não consegue crer em algo além da existência material. Esta pessoa terá pouca autoestima e autoconfiança e pode se deixar dominar pela ansiedade, pelo medo etc. Por não crer, também não tem o Sentido do Amor bem desenvolvido, já que só podemos desenvolver amor a partir do momento em que acreditamos em alguém ou em algo. Sem Fé e sem Amor, não há Conhecimento verdadeiro. Sem a Fé, o Amor e o Conhecimento não há Lei e nem se aplica Justiça. Faltando isso, não há Evolução e nem a Geração de mais nada.
Em resumo: Oxalá está no Sentido da Fé, que é o principal Sentido da Vida, pois sem a Fé nada mais existe ou tem fundamento. Nessa escala de valores, a Fé está no topo e, portanto, Oxalá está no topo. Este é o significado.
Claro que isso não “diminui” o valor dos demais Orixás. Até porque nada, absolutamente nada e ninguém pode diminuir ou alterar uma Divindade de Deus! Cada Orixá é um Mistério de Deus. Todos os Mistérios são essenciais e todos atuam de forma interligada para a Perfeição do Todo, na Criação Divina.
O que se procura compreender, aqui, é a visão da Umbanda sobre o que está contido dentro do campo de atuação de Pai Oxalá enquanto Mental Divino Regente do Mistério da Fé. Considerando a Fé como a base da religião e a base do existir, e sob um olhar cosmológico, Oxalá é a base da Criação, é “o Senhor das Formas”, o Orixá da Plenitude, o Orixá que representa o Espaço Infinito onde tudo existe e acontece e onde tudo será acomodado no Universo.
Na Umbanda, Oxalá é o Espaço Infinito onde tudo existe e acontece. Por isso, Ele recebe oferendas nos espaços abertos (mirantes, campos, campinas, jardins e espaços floridos etc.).
Pai Oxalá (o Espaço Infinito) e Mãe Logunan (o Tempo Infinito) formam o eixo Espaço-Tempo que sustenta a Criação.
Quando associado à Criação do mundo e da espécie humana, Oxalá representa o Princípio Masculino da Criação, “o Pai” ou “o aspecto Pai” do Divino Criador; enquanto Yemanjá representa o Princípio Feminino da Criação, “a Mãe” ou “o aspecto Mãe” do Criador.
Paralelamente, vemos que na África todas as lendas que relatam a Criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumaré (Deus), encarregado de criar não só o Universo, como todos os seres e todas as coisas que existiriam no mundo. É o Princípio Gerador em potencial, o responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra. É o que permite a concepção, no sentido masculino do termo.
ORIGENS E SIGNIFICADO DO NOME OXALÁ
A cor Branca: Há muitos nomes para esta Divindade: Orixá n’ti alá; Orixá n’lá; Orixalá, Òrìsànlá ou Orixanlá; Obatalá; Oxalá.
Seu nome, como o dos demais Orixás, vem da cultura Nagô-Yorubá, porque é nesta cultura que as Divindades são chamadas de Orixás. Alguns nomes de Orixás têm uma tradução, ao passo que outros não a têm, por expressarem conceitos daquela cultura que não têm uma correspondência direta com a nossa.
No caso de Oxalá, a tradução possível do nome vem de contrações da expressão “Orixá n’ti alá” (pronuncia-se: orixá intí alá), que significa: “o Orixá que veste o branco”. Embora no Islã a palavra “Alá” seja o Nome de Deus, aqui nesta expressão Yorubá ela quer dizer branco, a cor branca.
A expressão “Orixá n’ti alá” sofreu uma contração e ficou: “Orixá n’lá” (pronúncia: orixá inlá), com igual significado.
Nova contração gerou o termo “Orixalá”, utilizado como sinônimo de “o maior dos Orixás” ou “o Orixá dos Orixás”.
Finalmente, outra contração deu origem ao nome “Oxalá”, que também significa “o Orixá que veste o branco” ou “o Orixá do branco”.
Outro nome para Oxalá é “Obatalá”, que se traduz como “o rei que se veste de branco” (Obá= rei), também derivado da expressão “Orixá n’ti alá”.
Sua cor é o branco, que é a soma de todas as cores. E é em sua homenagem que vestimos o branco nas giras de Umbanda. Branco é a cor da paz, um dos muitos atributos de Oxalá e por isso também se diz que a Bandeira da Umbanda, que é branca, é “a Bandeira de Oxalá”.
Na cultura Nagô-Yorubá e no Candomblé do Brasil há os chamados “Orixás Funfuns”, conjunto de Orixás que vibram na cor branca ou dentro do axé branco.
Entre eles temos Oxalá e Orumilá, que são ligados por um aspecto: Orumilá é o Orixá do Oráculo ou da Revelação, que desvenda o passado, o presente e o futuro; e Oxalá, na Umbanda, ao polarizar com Logunan, na Linha do Tempo, também atua na relação entre presente/passado/futuro.
Elementos e Pedras: Vimos que o primeiro Elemento associado a Oxalá é o Cristalino; e que este Orixá também tem atuação Magnetizadora nos demais Elementos.
Logo, o Magnetismo de Oxalá está presente em todos os Elementos (cristais, minerais, vegetais, fogo, ar, terra e água).
Portanto, propriamente não temos uma única pedra associada a Oxalá (pois Ele magnetiza todos os minerais, todas as pedras). Mas o Cristal é o mais adequado para representá-Lo, porque todo cristal é translúcido, é transparente, é o mais próximo da cor branca de Oxalá; e isto simboliza também a pureza que existe em todos os elementos criados por Deus, já que todos recebem o Magnetismo de Oxalá.
As pedras brancas em geral pertencem a Oxalá, pois na cor branca encontra-se a fusão dos Sete Raios: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta. E os principais minerais das pedras brancas são: chumbo, prata, estanho, magnésio, potássio e cálcio.
O Cristal, em especial, é o grande irradiador dos Sete Raios e, através da Fé, alimenta e realimenta a todos os outros Orixás. Portanto, o Cristal Branco Translúcido é a maior fonte de irradiação das Qualidades Divinas do Trono Oxalá, sendo o maior irradiador energético em potencial, pois multiplica em muitas vezes a ação de outras pedras. Representa a Luz Divina em Si, capaz de tocar a todos os corações, iluminando-os através da Fé. A energia do Cristal é dual (atua como Geradora e como Receptora), estando ligada ao elemento Água, que é regido pela Lua. O Cristal Branco, a Pedra atribuída a Oxalá, é considerada como “a Pedra de Deus”, é a mais famosa Pedra de todos os tempos, em todas as civilizações. Pode ser utilizado em magias que atraiam a Paz, a Proteção, a Iluminação, a Sensitividade, a Cura, bem como o desenvolvimento dos sentidos e pensamentos superiores.
Pedras relacionadas a Oxalá: Selenita; Galena; Calcita Ótica; as pedras brancas translúcidas; as pedras brancas leitosas, tais como: a Albita ou Pedra da Neve, a Dolomita Branca e o Quartzo Branco Leitoso.
Os Planetas e o horário associados a Oxalá: Na Umbanda, Oxalá é associado ao Sol e ao planeta Terra.
Por força das peculiaridades do Seu magnetismo e da Sua atuação no despertar da Fé nos seres humanos, é também associado à luz do meio-dia.
Neste horário (meio-dia) o Sol está no seu esplendor e, segundo antigas Tradições, as Energias Angelicais mais puras e intensas estão atuando sobre o nosso planeta, purificando a tudo e a todos, pela dissolução das energias densas.
Portanto, o horário do meio-dia é excelente para nos dirigirmos ao Pai Oxalá, agradecendo e pedindo Suas bênçãos: fazendo um banho ou defumação com ervas do Orixá, firmando uma vela branca, oferecendo flores brancas etc.; ou simplesmente nos concentrando em oração e cobrindo a cabeça com um pano branco (de preferência, que seja de fibra natural, como algodão, linho etc.) especialmente reservado para este ritual.
Sincretismo: Na Umbanda, o Orixá Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo, cuja imagem é colocada em lugar de honra nos Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, em local elevado e geralmente destacada com iluminação.
Mas Oxalá não é Jesus, assim como Jesus não é Oxalá.
Jesus Cristo tem algumas das Qualidades de Oxalá e isto faz Dele uma Manifestação do Orixá Oxalá ou um Intermediário de Pai Oxalá Maior.
Jesus pregava o amor, o perdão, a fé, a paz. Ele “deu a própria vida” em testemunho dos seus ensinamentos, e isto nos remete ao simbolismo do “bode expiatório”: antes da vinda de Jesus, existia a prática religiosa de se sacrificar um animal “para a expiação dos nossos pecados”. Segundo o conceito Católico, Jesus torna-se “o cordeiro de Deus, o último cordeiro”, ou seja, depois Dele não se faria mais sacrifício animal “porque em Jesus Cristo todos os pecados da humanidade estariam perdoados”.
Homenageia-se Oxalá na representação daquele que na Tradição Católica foi o “filho dileto de Deus entre os homens”. Permanece, porém, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana: “Jesus foi um enviado, foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os homens”; enquanto Oxalá coexistiu com a formação do mundo, ou seja, Oxalá era ou existia muito antes de Jesus.
Segundo textos antigos, o nome “Cristo” significa cristal ou cristalino; e esta é a referência de todos os Mestres da Luz que encarnaram para guiar a humanidade.
As ondas magnetizadoras de Pai Oxalá despertam a ética e a iluminação filosófica nos seres, ou seja, a base das religiões. Algumas dessas ondas chegam até aos nossos olhos cruzadas; fato que tornou o símbolo da cruz como referência ao Mestre Jesus Cristo.
Para os Católicos, Jesus Cristo é Deus encarnado, é a segunda Pessoa da Trindade (Pai/Filho/Espírito Santo); para os Hindus, é um Avatar, um Mestre Ascensionado; para os Espíritas, é um Mestre da humanidade.
Já na Umbanda Jesus é reverenciado como um Manifestador do Trono da Fé, um Filho Iluminado de Oxalá que encarnou para direcionar as pessoas nos caminhos da Fé, por meio do amor que leva à fraternidade, ao perdão, ao arrependimento, à paz etc.
Sob a Regência de Oxalá, Jesus nos indicou a melhor forma de evolução, que é praticar a caridade: doar com a direita, trilhando o Caminho da Luz, como fez o Divino Mestre, para com a esquerda, recebermos na eternidade.
E a maior caridade que se pode praticar dentro da Religião é dar às pessoas um sentido para as suas vidas, pelo despertar da Fé.