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Conheça a origem da expressão “quem não pode com mandinga, não carrega patuá"

Uma fala que não se perdeu no tempo e ainda é muito utilizada hoje em dia.

Por: Marcella Pupo - Sacerdotisa e Dirigente de Umbanda
25/11/2022 às 21h34
Conheça a origem da expressão “quem não pode com mandinga, não carrega patuá

Uma antiga expressão, hoje muito usada como sinônimo de outra que diz: "quem não tem competência, não se estabelece".

Na verdade, a busca do patuá ou talismã é feita principalmente por quem se sente inseguro e consequentemente necessitado de maior proteção.

Comete engano quem acredita que a expressão esteja se referindo à mandinga como feitiço,  abô, "coisa feita", etc.

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Mandinga é um grupo (ou nação) africano do Norte que por sua proximidade com os árabes acabou por se tornar muçulmano e, sendo essa uma religião fanatizante, alguns de seus adeptos têm verdadeiro ódio pelos que não aceitam Alá como Deus ou Maomé como seu profeta.

Com o desenvolvimento do tráfico de escravos, muitos negros mandingas vieram parar nas Américas, vítimas da ambição dos brancos. Como os negros mandingas eram muçulmanos, muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe, além de conhecer a Matemática melhor do que os brancos, seus senhores.

Este estado superior de cultura de um determinado grupo negro fez com que fossem tidos como feiticeiros, passando a expressão mandinga à sinônimo de feitiço.

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Por outro lado, os negros que praticavam o culto aos Orixás eram vistos como infiéis pelos negros mulçumanos. O branco, aproveitando-se dessa rivalidade e confiando aos mandingas funções superiores que aos demais, fazia a animosidade entre eles crescer. Os mandingas não eram obrigados pelos brancos a ingerir restos de carne de porco e, até mesmo, era permitido que trouxessem trechos do Alcorão encerrados em pequenos invólucros de pele pendurados no pescoço. Geralmente, eram os mandingas quem acabavam por ocupar o lugar de caçadores de escravos fujões, os chamados “capitães - do - mato".

Por isso, quando um negro pretendia fugir, além de se preparar para lutar sem armas por meio da capoeira e do maculelê, ele deixava o cabelo carapinha e pendurava no pescoço um patuá, de forma que pensassem se tratar de um mandinga, para não ser perseguido . Todavia, se um verdadeiro mandinga o abordasse e ele não soubesse responder em árabe, descarregaria todo seu furor nesse infeliz negro fujão.

Daí nasceu a expressão " QUEM NÃO PODE COM MANDINGA, NÃO CARREGA PATUÁ "

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A vingança para quem se atrevesse a portar um falso objeto , considerado sagrado pelo muçulmano, era qualquer coisa de terrível.  Mais tarde, porém, o hábito de utilizar patuás entre os negros foi se generalizando, pois esses acreditavam que o poder dos mandingas era por causa, em grande parte, dos poderes do patuá. Por outro lado, os padres também utilizavam e, o fazem ainda hoje, crucifixos e medalhas etc., que depois de benzidos, acredita -se trazer proteção aos devotos neles representados. Na verdade, o uso do talismã perde-se na origem do tempo e confunde-se com a própria história do homem.

Nos primeiros terreiros do Candomblé,  era comum o pedido de patuá por parte dos simpatizantes e, até mesmo, por aqueles que temiam o culto afro, pois se dizia que o patuá poderia, inclusive neutralizar trabalhos de magias negativas.

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