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Família do interior de SP busca por filho doado há 58 anos para realizar último desejo de mãe doente

Pedido de Perdão: Moradora de Registro procura irmão, nascido em Jacupiranga, para encontro com a mãe de 82 anos.

Fagner Vieira
Por: Fagner Vieira Fonte: G1 Santos e Região
18/11/2025 às 08h29 Atualizada em 14/02/2026 às 19h22
Família do interior de SP busca por filho doado há 58 anos para realizar último desejo de mãe doente
Família do interior de SP busca por filho doado há 58 anos para realizar último desejo de mãe doente / Foto: Gerada por IA


Família de Registro mobiliza busca por filho doado em 1967 para reencontro com mãe que está doente

Uma história de 58 anos, marcada por um ato de desespero e amor materno, motiva uma intensa busca no interior de São Paulo. Jardete de Freitas, moradora da cidade de Registro, no Vale do Ribeira, está determinada a encontrar o irmão, Adauto Lemos Ribeiro, que foi entregue para adoção logo após seu nascimento, em 1967, na cidade vizinha de Jacupiranga.

O principal motor dessa busca é o desejo da mãe, Amélia de Freitas Ribeiro, hoje com 82 anos. Amélia está extremamente debilitada, incapaz de andar ou falar, e manifestou a vontade de reencontrar o filho quando sua saúde começou a declinar. A família de Registro acredita que este é o último e mais profundo desejo de Amélia: receber o perdão do filho que foi doado.

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"Eu queria fazer o encontro dos dois porque eu acho que ela está esperando só o encontro dele para partir dessa Terra", relata Jardete de Freitas, que atualmente é a principal condutora e cuidadora de Amélia em Registro.


Os Fatos da Doação em Jacupiranga

Jardete, que nasceu posteriormente, reconstituiu a história a partir dos relatos dos irmãos mais velhos, Leonel e Josine. Adauto Lemos Ribeiro nasceu em 1967. Na época, a mãe, Amélia, estava grávida quando foi abandonada pelo pai dos filhos mais velhos.

"O pai deles separou da minha mãe com ela grávida e foi embora com outra. Então ela ganhou [Adauto], não tinha condição de cuidar e deu para esse casal", explicou Jardete.

A doação ocorreu logo após o nascimento para um casal que residia na mesma rua da família, em Jacupiranga (SP).

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Amélia de Freitas Ribeiro quer reencontrar o filho Adauto, doado após o nascimento em 1967 — Foto: Arquivo pessoal
Amélia de Freitas Ribeiro quer reencontrar o filho Adauto, doado após o nascimento em 1967 — Foto: Arquivo pessoal

 

A Dificuldade da Busca e a Adoção 'à Brasileira'

Jardete está na busca por Adauto há três anos. O grande desafio é que a adoção de Adauto não foi formalizada judicialmente, o que hoje inviabiliza o acesso a informações sobre seu paradeiro.

  • Última Pista: A única confirmação obtida pela família de Registro é que a família adotiva de Adauto morou em Cajati (SP). Infelizmente, o casal que o adotou já faleceu.

  • Tentativa Anterior: O irmão mais velho de Jardete, Leonel, chegou a encontrar Adauto cerca de 10 anos após a doação, mas a mãe adotiva não permitiu que Adauto soubesse da verdade sobre seu parentesco biológico. Desde então, eles perderam o contato.

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  • Documentação: Jardete possui apenas a certidão de nascimento de Adauto e já buscou informações em delegacias, hospitais e escolas em Cajati, mas não possui autorização legal para acessar os dados privados.

Apesar de nunca ter visto a fisionomia do irmão e enfrentar barreiras burocráticas, Jardete persiste na busca, movida pela crença de que este encontro trará paz à mãe, que sofre muito em seu estado atual. "Estou tentando encontrá-lo para ver se ele libera perdão para ela. Estou achando que é só isso [que ela precisa], não tem outro motivo, ela está sofrendo muito", finalizou Jardete, de Registro.

Esclarecimento Legal: Adoção Antes do ECA

O advogado e ex-secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel de Castro Alves, esclareceu que a entrega direta de filhos para outras famílias era uma prática permitida antes da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990.

Essa prática era informalmente conhecida como "adoção à brasileira". Antes da lei, era comum a entrega de recém-nascidos e bebês diretamente para outras pessoas, que passavam a criar a criança como se fosse seu filho biológico.

Alves ressalta que, embora essas 'adoções ilegais' ainda possam ocorrer atualmente, a prática é totalmente irregular sob o ECA, que estabelece a obrigatoriedade da entrega da criança à Vara da Infância e Juventude para que a adoção ocorra de forma segura e legal, podendo gerar punições aos "adotantes" que descumprem a lei.

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