
Um caso de violência doméstica registrado em Apiaí, no interior de São Paulo, resultou na prisão de um homem de 44 anos que agrediu a esposa, de 39, com um soco no olho. O episódio chamou atenção pela banalidade do motivo que desencadeou a violência: a vítima apenas havia solicitado ao companheiro que a acompanhasse em uma consulta odontológica.
Segundo informações da Polícia Civil, a agressão foi relatada pela própria vítima, que compareceu à delegacia com hematomas visíveis no rosto. Apesar da gravidade do episódio, a prisão em flagrante não ocorreu pelo soco desferido, mas sim porque, durante a abordagem, os policiais descobriram que havia contra o agressor um mandado de prisão em aberto. O documento já havia sido expedido em razão de outros episódios de violência doméstica praticados contra a mesma mulher.
O delegado seccional Valmir Oliveira Barbosa, responsável pelo caso em Apiaí, destacou que a violência foi resultado de um desentendimento trivial. “A vítima alegou que estava com dor de dente e pediu para que o marido a acompanhasse ao dentista. Ele se recusou, e, durante a discussão, acabou desferindo um soco no rosto dela”, explicou o delegado.
Ainda segundo a autoridade policial, a agressão reforça a gravidade das situações de violência doméstica que, muitas vezes, se iniciam em circunstâncias banais, mas representam riscos crescentes à integridade física e psicológica das vítimas.
O episódio aconteceu no último dia 29, quando o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) recebeu a denúncia da agressão e acionou a Guarda Civil Municipal (GCM). Equipes se deslocaram até a residência do casal, localizada em Apiaí, e encontraram a vítima ainda com marcas no rosto, reforçando o relato de que havia sido agredida recentemente.
A mulher manifestou o desejo de solicitar uma medida protetiva contra o companheiro, temendo pela própria segurança. O agressor também estava no local e foi conduzido até a delegacia. Durante a checagem dos antecedentes, a polícia confirmou a existência do mandado de prisão, o que levou à sua imediata detenção e posterior encaminhamento ao sistema prisional.
O caso foi formalmente registrado como lesão corporal e violência doméstica, enquadrado na Lei Maria da Penha, legislação que garante medidas protetivas e punições mais rigorosas contra crimes praticados em ambiente familiar.
Em nota oficial, a assistente social Bruna Andrade, que atua no Creas de Apiaí, reforçou a importância da denúncia em casos de violência contra a mulher, principalmente no Interior de São Paulo, onde muitas vezes as vítimas encontram mais dificuldade para buscar ajuda por conta da distância dos centros urbanos.
“É fundamental que situações de violência doméstica sejam denunciadas. Quem estiver vivenciando ou conhecer alguém que passe por isso pode ligar para o 180, canal nacional de atendimento às mulheres em situação de violência. Também é possível acionar o 190 (Polícia Militar) ou 153 (Guarda Civil Municipal)”, orientou a profissional.
Bruna acrescentou ainda que as vítimas podem procurar o Creas, onde recebem acolhimento, escuta qualificada, acompanhamento psicológico e jurídico, além de serem inseridas em programas sociais que fortalecem a rede de proteção.