
O trabalhador Simeão Pires Machado, de 35 anos, nascido na cidade de Jacupiranga, no Vale do Ribeira, está entre as vítimas fatais da explosão ocorrida em uma fábrica de explosivos na cidade de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). Simeão era operador na unidade da empresa Enaex Brasil e faleceu no momento em que se preparava para iniciar o seu turno de trabalho, na manhã de terça-feira, dia 12 de agosto.
A tragédia resultou na morte de nove funcionários e deixou outras sete pessoas feridas. As circunstâncias que causaram o acidente ainda estão sendo investigadas pela polícia e autoridades técnicas. Segundo o Comando do Corpo de Bombeiros do Paraná, os trabalhos de busca e identificação dos corpos estão em andamento, com previsão de conclusão em até 30 dias, devido ao impacto e à complexidade da ocorrência.
Simeão vivia no Paraná, mas mantinha suas raízes no Vale do Ribeira, onde nasceu e cresceu antes de se mudar para buscar novas oportunidades. Ele deixou esposa e dois filhos pequenos, de 7 e 9 anos. Muito ligado à família e à comunidade local, era conhecido por seu amor pelo futebol e por participar ativamente de um time amador em Campina Grande do Sul (PR), onde morava atualmente.
Nas redes sociais, amigos, familiares e o time América Campinense, do qual fazia parte, prestaram homenagens. "Hoje perdemos um amigo, um pai, uma pessoa incrível, mas ganhamos a certeza de que o céu recebeu alguém especial", escreveu o time em nota emocionada, destacando a alegria e o amor de Simeão pela família.

Segundo a delegada Géssica Andrade, responsável pela investigação, câmeras de monitoramento da empresa mostraram que os funcionários não estavam manipulando explosivos no momento da explosão. As imagens mostram os nove trabalhadores chegando, colocando seus equipamentos de proteção e se reunindo para uma oração antes do início do turno. Em seguida, a imagem é cortada e ocorre a explosão. As imagens não foram divulgadas à imprensa.
A delegada confirmou que a explosão ocorreu de forma súbita e que as vítimas não tinham envolvimento direto com qualquer procedimento de risco naquele momento. “Pelo que a gente pode analisar, eles não estavam manipulando nenhum explosivo naquele instante”, afirmou.
Em nota divulgada no mesmo dia do acidente, a Enaex Brasil lamentou profundamente o ocorrido e informou que está prestando apoio aos familiares das vítimas. A empresa, que possui 1.300 colaboradores em diversas unidades, disse que a explosão aconteceu em uma das plantas destinadas à produção de acessórios de iniciação e que a brigada interna de emergência foi a primeira a atuar no local.
“A empresa tem a vida como seu valor primordial e é reconhecida internacionalmente por suas práticas de segurança, com procedimentos que vão além das exigências legais”, declarou a Enaex, acrescentando que todas as medidas estão sendo tomadas para garantir apoio às famílias e esclarecer as causas do acidente.
O acidente aconteceu por volta das 5h50 da manhã em uma área de aproximadamente 25 metros quadrados onde eram armazenados materiais explosivos. O Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, informou que o material envolvido possui alto poder de destruição e espalhou-se por todo o terreno da fábrica. Segundo ele, formou-se uma cratera no local da explosão e outras edificações próximas tiveram suas estruturas comprometidas.
Apesar da gravidade da ocorrência, a empresa estava em dia com todas as normas de segurança, conforme avaliação do Corpo de Bombeiros. O material remanescente está sendo analisado pelo Esquadrão Antibombas de Curitiba.
A Prefeitura de Quatro Barras, também por meio de nota oficial, confirmou que a Enaex Brasil está instalada no município há mais de 50 anos e possui todas as licenças exigidas por lei, incluindo alvarás de funcionamento e localização em conformidade com a legislação.
A administração municipal também afirmou que a diretoria da empresa se colocou à disposição para reparar os danos causados à comunidade e prestar total suporte aos trabalhadores afetados e seus familiares. Equipes da Defesa Civil estão atuando no levantamento dos prejuízos em imóveis vizinhos à fábrica, tanto em comércios quanto em residências.