
Lucas Paquetá, meio-campista do West Ham e da Seleção Brasileira, foi absolvido pela Comissão Reguladora da Justiça Esportiva de sua principal acusação de envolvimento com apostas. A decisão, proferida nesta quinta-feira, inocenta o jogador após a Comissão Reguladora entender que as graves acusações de má conduta feitas pela Associação de Futebol da Inglaterra (FA) não foram devidamente comprovadas no tribunal. Com essa resolução, o caminho de Lucas Paquetá está livre para continuar atuando profissionalmente, e a decisão é irrecorrível, trazendo um fim a uma fase de incertezas em sua carreira.
O processo contra Lucas Paquetá gerou grande repercussão, não apenas no Brasil e na Inglaterra, mas em todo o cenário do futebol internacional, dado o peso das acusações e o perfil do jogador. A transparência na condução do caso e a subsequente absolvição são marcos importantes para a reputação do atleta, que sempre manteve sua inocência.
Lucas Paquetá foi formalmente denunciado em maio de 2024, e a audiência que trataria do caso teve início em março deste ano, sendo concluída em junho. Durante o processo, a Associação de Futebol da Inglaterra (FA) alegou que o jogador havia violado a Regra E5.1 da entidade em quatro supostas ocasiões, relacionadas à sua conduta em partidas específicas do West Ham na Premier League. Os jogos em questão foram contra o Leicester City (12 de novembro de 2022), Aston Villa (12 de março de 2023), Leeds United (21 de maio de 2023) e Bournemouth (12 de agosto de 2023).
A FA especificou que "foi alegado que Lucas Paquetá tentou influenciar diretamente o andamento, a conduta ou qualquer outro aspecto ou ocorrência dessas partidas, ao tentar intencionalmente receber um cartão do árbitro com o propósito impróprio de afetar o mercado de apostas para que uma ou mais pessoas lucrassem com as apostas". Contudo, conforme o comunicado da própria FA, "Lucas Paquetá negou as acusações contra ele, e a Comissão Reguladora considerou que elas não foram comprovadas após uma audiência". Essa foi a principal vitória para o jogador, que se livra da possibilidade de sanções severas, como o banimento do esporte.
No entanto, a investigação da FA também incluía uma segunda acusação contra Lucas Paquetá, referente à Regra F3, que trata da obrigação dos jogadores de responder a perguntas e fornecer informações durante investigações. Neste ponto, a Comissão Reguladora considerou que as acusações foram comprovadas. Por essa razão, o meio-campista deve receber uma multa, cujo valor ainda não foi especificado, mas que não afeta sua capacidade de jogar.
A demora na conclusão do processo judicial que envolvia Lucas Paquetá gerou apreensão nos bastidores do West Ham United. O clube inglês desejava celeridade na decisão para poder planejar seu elenco, especialmente no que tange à necessidade de ir ao mercado em busca de um substituto caso o atleta recebesse uma punição severa que o afastasse dos gramados. A absolvição, portanto, é um alívio não apenas para o jogador, mas também para a diretoria do clube.
Após a decisão favorável, Lucas Paquetá fez questão de se manifestar em suas redes sociais, expressando seu alívio e gratidão. O jogador do West Ham reiterou sua inocência desde o início do processo e agradeceu publicamente à sua família, aos fãs e ao clube pelo apoio incondicional durante todo o período das investigações.
Em sua publicação, Lucas Paquetá escreveu: "Os inimigos virão contra nós por um caminho, mas por 7 caminhos fugirão. Desde o primeiro dia desta investigação, mantive minha inocência contra essas acusações gravíssimas. Não posso dizer mais nada agora, mas também não consigo expressar o quanto sou grato a Deus e o quanto estou ansioso para voltar a jogar futebol com um sorriso no rosto. À minha esposa que não soltou a minha mão, ao West Ham, aos torcedores que sempre me apoiaram, ao Fernando Malta e à minha equipe jurídica da Level (Alastair Campbell, Jonathan Hyman, Dan Lowen), Nick de Marco KC, e Kendrah Potts - obrigado por tudo. Toda glória e toda honra seja dada a Deus!"
A vice-presidente do West Ham United, Karren Brady, também celebrou a notícia: "Estamos satisfeitos que Lucas tenha sido inocentado. Ele alegou sua inocência desde o início e, como clube, o apoiamos firmemente durante todo o processo. Apesar da incrível pressão sobre ele, Lucas tem se destacado semana após semana pelo clube, sempre dando tudo de si. Tem sido um momento difícil para Lucas e sua família, mas ele se manteve absolutamente profissional durante todo o processo e agora está ansioso para encerrar este episódio, assim como todos no West Ham United."
O comunicado oficial da FA, divulgado em maio do ano passado, detalhava as acusações contra Lucas Paquetá. Ele foi acusado de quatro violações da Regra E5.1 da federação inglesa, que estabelece que um jogador "não deverá, direta ou indiretamente, tentar influenciar, para fins impróprios, o resultado, o progresso, a conduta ou qualquer outro aspecto ou ocorrência em ou em conexão com um jogo ou competição". A FA apontou que o jogador recebeu cartão amarelo nos quatro confrontos mencionados na acusação, o que levantou suspeitas. Quando a denúncia foi feita, Lucas Paquetá prontamente negou qualquer envolvimento:
"Estou extremamente surpreso e chateado com o fato de a FA ter decidido me acusar. Cooperei com todas as etapas da investigação e forneci todas as informações que pude durante estes nove meses. Nego as acusações na íntegra e lutarei com todas as minhas forças para limpar meu nome. Devido ao processo em andamento, não fornecerei mais comentários", declarou o jogador na época.
É importante esclarecer que, de acordo com a documentação da FA, ofensas por apostas são consideradas separadas e distintas de acusações de manipulação de resultados de jogos. No entanto, se pudesse ser comprovado que uma aposta influenciou o resultado ou o decorrer de uma partida, a acusação seria específica e as consequências seriam gravíssimas, podendo levar ao banimento vitalício de um jogador. Neste caso, a alegação da FA era que Lucas Paquetá "procurou influenciar diretamente o progresso, a conduta ou qualquer outro aspecto ou ocorrência nessas partidas, buscando intencionalmente receber um cartão do árbitro com o propósito indevido de afetar o mercado de apostas para que uma ou mais pessoas lucrem com apostas".
O livro de regulações disciplinares da FA não detalha as faixas de sanções para quem viola especificamente a regra E5.1. Contudo, em casos de uso de informação privilegiada para fins de apostas, um jogador poderia enfrentar desde uma suspensão de seis meses até o banimento perpétuo do futebol, além de multas significativas. A FA também citou, em maio, que o brasileiro foi acusado de duas violações da regra F3, que pode configurar má conduta por não responder a questões e não providenciar documentos, sendo esta a única acusação confirmada pela Comissão Reguladora.
A absolvição de Lucas Paquetá na principal acusação de apostas representa um desfecho positivo para o jogador, que agora pode focar plenamente em sua carreira no West Ham e na Seleção Brasileira.