
O Cruzeiro das Almas geralmente é encontrado dentro de cemitérios, que na Umbanda chamamos de "Campo Santo" ou "Calunga Pequena".
Nesses locais, o Cruzeiro das Almas ficou conhecido como uma grande referência para que as pessoas acendessem velas para iluminar, homenagear e se lembrarem de seus entes desencarnados que foram sepultadas naquele local e fazem isso também para que essas almas sejam encaminhadas e cuidadas pelos espíritos de luz em nome do trabalho de caridade e do amor de Deus.
Para quem já foi à uma “Calunga Pequena” é fácil de identificar o Cruzeiro das Almas, que é simbolizado por uma grandiosa cruz, geralmente de madeira, normalmente localizado bem ao centro do Campo Santo, de fácil acesso e bem visualizado.
Ali naquele lugar temos uma grande força espiritual local onde se trabalha as 13 Almas Benditas, que possuem a função de auxiliar a entrada das Entidades trabalhadoras da Calunga Pequena para o resgate de espíritos desencaminhados, perdidos e viciosos.
Esse é um dos trabalhos mais belos da Umbanda, pois ao desencarnar, o espírito, por muitas vezes se sente desorientado, perdido, sem saber o que fazer e para onde seguir. Com essa força espiritual acontece essa maravilhosa ajuda à esses espíritos para que busquem o caminho que cada um deve seguir, deixando para trás o apego à matéria, a vida encarnada e aos bens materiais.
Como nem tudo são flores, o próprio ser humano faz desse honroso trabalho de luz um falso ritual mistificador para sanar sua ganância, vaidade e sua falta de orientação e informação, pois infelizmente também podemos presenciar em alguns Cruzeiros das Almas alguns ditos trabalhos de ordem negativa, trabalhos esses que não tem ligação nenhuma com a Umbanda, e que muitas pessoas acreditam ter, pois a falta de informação é tão grandiosa que essas pessoas creem que obsessores, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros são Entidades de Luz, e que estão ali a seu bel prazer para fazerem trabalhos de magia negra, porém esses rituais além de estar longe de ser rituais umbandistas, quem o fez não tem o mínimo conhecimento de fatos que estão mexendo, ou da distância dessas crendices para a Umbanda.
A Umbanda é irradiada de luz, e sua ação é de total respeito ao livre arbítrio de cada um, e definitivamente não se faz nenhum trabalho negativo.
O Cruzeiro das Almas é tão importante aos espíritos assim como o ar é fundamental ao encarnado, pois é ele o portal de passagem onde o espírito passa de um plano vibratório para outro, como por exemplo no momento do desencarne, nas passagens de um estado de doença física ou emocional, uma obsessão complexa ou mesmo simples, mágoas, ódios, rancores e todo sentimento de ordem negativa para uma situação de cura, equilíbrio e harmonia.
Dentro da Umbanda, em terreiros, centros, tendas ou templos, encontramos o Cruzeiro das Almas ou conhecido também por "Cantinho das Almas" e é nesse local que são feitos assentamentos e firmamentos para a proteção da casa e dos médiuns sobre as influências de seres infelizes, Kiumbas, Eguns, Zombeteiros e obsessores de todos os tipos, da mesma forma no qual é feito nas Calungas Pequenas.
Muitas pessoas mal informadas, mistificadores sem orientação, tem o mau costume de dizer que o Cruzeiro das Almas traz má sorte, além de ser um chamariz da morte, contudo
isso não passa de crendices de pessoas que veem coisas obscuras até no ar que respiram. É uma tremenda falta de informação e de respeito com o Cruzeiro, com as Almas e com o Orixá regente desse local, o nosso poderoso Omulú/Obaluaiê.
Para piorar, infelizmente essas colocações não vem apenas de pessoas que estão fora da Umbanda, pois vemos umbandistas consagrados, como Zeladores (pais e mães de santo), e muitos filhos de santo dizerem essas coisas sem fundamento algum, fazendo assim espalhar falsas informações sobre um local tão abençoado e de grande importância para todos nós.
Devemos sempre lembrar que o Cruzeiro das Almas é um magnífico ponto de luz e ao nos dirigirmos a ele devemos proceder como fazemos em qualquer outro campo de força de atuação vibracional dos Orixás, é primordial o respeito, o bom senso e principalmente a elevação da fé.
Para quem frequenta terreiros, centros e tendas de Umbanda com mais frequência, certamente já passou por um fato no qual muitas pessoas ainda não compreendem o porquê desse acontecimento. Estamos falando de quando um Guia de luz chega até nós, nos entrega uma vela branca, e recomenda que a acenda no Cruzeiro das Almas. A nossa mente nesse momento trabalha de uma forma incessante, nos fazendo crer que possamos estar acompanhados por Eguns, Kiumbas ou algum espírito sofredor, porém nos esquecemos que tal qual na Calunga Pequena, ali é um ponto de transformações inerentes a vibração de Omulú/Obaluaiê, o senhor das Almas e das passagens, e muitas vezes a "vela" não é para os outros que possam estar nos obsediando, mas sim, para nós mesmos, para que assim possamos, com a ajuda de Omulú/Obaluaiê, transmutarmos algo de ruim que ainda não estamos conseguindo sozinhos resolver dentro de nós.
Temos que entender que a cruz, na Umbanda, e um símbolo de ascensão, da conexão entre a espiritualidade, a matéria física e planos vibratórios transcendentes.
Nos Terreiros sabemos que Omulú/Obaluaiê é o Orixá que rege toda as forças do Cruzeiro das Almas, e as Entidades de Luz que mais fazem uso desses símbolos são os amáveis Pretos Velhos. Podemos notar isso em seus rosários, seus terços, seus pontos riscados que normalmente têm uma cruz ou mesmo o Cruzeiro das Almas desenhados de forma tradicional, demonstrando assim a elevação espiritual que essas Entidades trazem consigo.
O mesmo respeito que devemos ter pelo Cruzeiro das Almas devemos ter pelas Entidades que conduzem esse maravilhoso símbolo, pois como observamos, a cruz, é um símbolo por mais antigo, e os Pretos Velhos são os anciãos da Umbanda. São espíritos velhos, sábios, com tanta elevação que são capazes de transitar em diversos planos sutis da existência. Os terços que carregam consigo trazem a sabedoria de milênios.
Quando sé é montado um Cruzeiro das Almas em nossas casas de Umbanda, e nela colocamos as imagens de nossos amados vovôs e vovós, seus elementos de trabalho junto as palhas de Omulú/Obaluaiê, Orixá regente dessas Entidades juntamente com Oxalá, ali estamos estabelecendo um ponto de força energético espiritual dos mais importantes para a humanidade.
Estamos nos conectando com os seres de luz que, em gesto de caridade, emprestam ao terreiro as mais variadas sabedorias e conhecimentos. Não é à toa que Obaluaiê é sinônimo de Evolução e os Pretos Velhos de sabedoria. São os responsáveis por nos nortear, nos conectar nas diversas cruzes da existência.
Portanto, para finalizar, devemos ter em mente que o Cruzeiro das Almas é um ponto energético de luz e caridade, que auxilia a nortear os desencarnados e aos encarnados mostra que não devemos nos apegar às crendices, levando o nome santo do Cruzeiro das Almas em colocações errôneas feitas pelo próprio ser humano, ou seja por falta de informação, por mau caratismo, por vaidade, por misticismo.
Devemos respeitar o Cruzeiro das Almas, pois certamente um dia passaremos por ele em busca de um portal de passagem entre o mundo material e o mundo espiritual.
Salve o Cruzeiro das Almas!