
Em 16 de julho de 1945, no deserto do Novo México, nos Estados Unidos, uma explosão ofuscou o sol. Era o primeiro teste de uma bomba atômica do mundo, chamado de teste Trinity. No bunker de controle, a cerca de 10 km de distância, estava Robert Oppenheimer, o físico que dirigiu o projeto que criou a terrível arma.
Oppenheimer nasceu em Nova Iorque, em 22 de abril de 1904. Estudou química na Universidade Harvard e física nas universidades de Cambridge e Göttingen. Tornou-se um renomado físico teórico, com contribuições importantes para a mecânica quântica e a física nuclear.
Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi recrutado para trabalhar no Projeto Manhattan, um empreendimento secreto do governo americano para desenvolver armas nucleares antes da Alemanha nazista. Em 1943, ele foi nomeado diretor do Laboratório Nacional de Los Alamos, onde coordenou uma equipe de mais de três mil cientistas.
Sua liderança e experiência foram fundamentais para o sucesso do projeto. Ele supervisionou o design e a construção das primeiras bombas atômicas, batizadas de Little Boy e Fat Man. Essas bombas foram usadas pelos Estados Unidos contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945, matando cerca de 200 mil pessoas e levando à rendição do Japão.
Oppenheimer ficou profundamente abalado com as consequências devastadoras da sua criação. Ele se lembrou de um verso do livro sagrado hindu Bhagavad Gita: “Agora eu me tornei a morte, o destruidor de mundos”. Ele também se tornou um defensor do controle internacional da energia nuclear e da não proliferação das armas nucleares.
Após a guerra, ele foi presidente do Comitê Consultivo Geral da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (CEA), um órgão influente na política nuclear americana. Ele se opôs ao desenvolvimento da bomba de hidrogênio, uma arma ainda mais poderosa que a bomba atômica. Ele também criticou a corrida armamentista com a União Soviética e defendeu a cooperação científica internacional.
Por causa das suas posições pacifistas e das suas ligações com grupos comunistas no passado, Oppenheimer foi acusado de ser uma ameaça à segurança nacional em 1954. Ele foi submetido a um julgamento secreto pela CEA e teve sua habilitação para acesso a informações confidenciais revogada. Ele foi afastado do governo e da comunidade científica.
Oppenheimer passou os últimos anos da sua vida como diretor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, uma prestigiada instituição acadêmica. Ele morreu em 18 de fevereiro de 1967, aos 62 anos, vítima de câncer na garganta.
Oppenheimer é considerado o pai da bomba atômica e um dos maiores cientistas do século XX. Ele também é um símbolo da era atômica e das questões éticas e morais envolvidas no uso da ciência para fins militares.