Eng.º Agrônomo Fabiano Milton de Sousa
CREA: 0480017732
As principais culturas são obviamente a banana e a pupunha para produção de palmito, há cultivos consideráveis de citros (principalmente a mexerica), maracujá entre outros.
Mais recentemente a pitaya tem se adaptado bem a região e é uma cultura que está em expansão. O café também teve destaque graças a um excelente trabalho realizado no município de Barra do Turvo através de um projeto realizado pela prefeitura, encabeçado pelo Engenheiro Mario Cavalari.
Alguns avanços tecnológicos têm sido observados nos últimos anos, um deles é o uso do drone em pulverizações, mas restrito praticamente ao cultivo de bananas.
De uma forma geral a agricultura da região, salvo alguns casos, ainda se caracteriza por uso de pouca tecnologia, quando comparado a outras regiões do estado de São Paulo.
Porém o uso das análises de solo para as culturas, apesar de ser uma ação desenvolvida há muitas décadas atrás, ainda é pouco utilizada pela grande maioria dos produtores rurais do Vale do Ribeira, mesmo apresentando baixo custo e facilidade de ser executada, uma vez que temos um laboratório de analises instalado no campus da UNESP, no município de Registro.
Podemos comparar uma análise de solo, a um exame de sangue solicitado por um médico a fim de diagnosticar algum problema de saúde e indicar o melhor tratamento.
Análise de solo deveria ser a primeira ação, ao se planejar qualquer tipo de cultivo, podendo incluir inclusive, a implantação de pastagens que devem ser tratadas como cultura, pois através dela um engenheiro capacitado, pode-se identificar as deficiências no solo e planejar as devidas correções.
Devido às características climáticas da região, com muita chuva, favorece muito a acidificação dos solos, portanto são muito comuns solos necessitando de correção do PH, que é feito com aplicação de calcário, um dos insumos de menor custo, porém não menos importante, uma vez que a acidez interfere diretamente na absorção dos nutrientes do solo, ou seja, em um solo com acidez elevada, reduz muito a eficiência dos fertilizantes (tabela 01), pois quanto mais ácido menor é o aproveitamento do mesmo, que atualmente representa um alto custo na produção.
A consequência disso é uma menor resposta da planta ao fertilizante, induzindo ao produtor aumentar as doses esperando um melhor resultado, sem sucesso e contribuindo para aumentar a acidificação do solo, pois os fertilizantes químicos também contribuem com a acidificação.
Algumas considerações podem ainda serem feitas, pois ocorre que são muito comuns produtores aplicando calcário e fertilizante sem análise de solo, podendo implicar inúmeras consequências negativas como uso de corretivos sem necessidade, fertilizantes com nutrientes em quantidades que não suprem as necessidades da planta ou que não são necessários, causando gastos desnecessários e perda de produção causada por desequilíbrio nutricional, pois assim como a falta de determinados nutrientes podem ser prejudiciais, o excesso também, com um agravante pouco observado, já que uma possível falta é facilmente resolvida repondo, mas um excesso, como retirar do solo? Portando qualquer erro em uma recomendação de corretivos ou fertilizantes, melhor que seja para menos, pois é possível fazer as devidas correções gradativamente.
Um exemplo clássico refere-se à correção da acidez com calcário, isso considerando só a questão do PH do solo, que de forma geral deve se manter entre 5,5 e 6,5 como faixa ideal, variando de uma cultura a outra, isso porque da mesma forma que a acidez alta (menor PH), dificulta a absorção de determinados nutrientes, há outros que à medida que se eleva o PH para mais próximo do neutro (PH=7,0) também tem seu aproveitamento reduzido, então é importante que o solo se mantenha dentro da faixa de PH citada acima, concluindo que o excesso de calcário pode trazer complicações.
Há muito a se falar sobre a importância de uma análise de solo e a necessidade de se intensificar seu uso junto aos produtores, pois é um pequeno investimento que pode acarretar em ganhos de produção e redução de custos, sendo que para isso é de grande importância que toda coleta de solo seja feita seguindo as recomendações de um Engenheiro Agrônomo, que através dos resultados, poderá fazer as devidas recomendações de fertilizantes e corretivos.