
O registro de duas aparições de tubarões-lixa (Ginglymostoma cirratum) no ano passado em Cananeia, no litoral de São Paulo, foi tema de um artigo científico de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A espécie, que é considerada rara na região, havia sido registrada oficialmente pela última vez em 1967. Segundo o biólogo e pesquisador da instituição, Paulo Santos, essa recuperação é importante para entender que a espécie ainda está na região.
"O que acontece com esse tubarão, assim como a maioria das espécies, é que nos últimos anos houve um declínio populacional devido algumas situações relacionadas à pesca ou à captura" , afirmou o biólogo.
Ele explicou que, mesmo com diversos trabalhos de monitoramento científico que ocorreram ao longo do estado, o último registro oficial da espécie havia ocorrido em 1967, pois mesmo com a existência de alguns relatos nos últimos anos, não houve nenhuma comprovação científica após esta data.
Agora, com a publicação dos pesquisadores na revista científica, fica comprovada a aparição da espécie em fevereiro e maio do ano passado em Cananeia.
"Esse nosso trabalho trouxe isso [a comprovação], além das capturas recentes, a adição de relatos feitos por pescadores, guias de pesca com a comprovação, como fotos, de que essa espécie ainda ocorre no Brasil, principalmente do Espírito Santo para cima", disse.
Para o biólogo, o aspecto mais importante da recuperação de registros dessa espécie no litoral sul é saber que existe uma área na região onde esses animais podem estar abrigados. "O importante é a gente saber isso e, daqui para frente, trabalhar com novos projetos, construir uma nova sequência de trabalhos que propicie entender o tamanho da população de tubarões-lixa que está vivendo aqui nas nossas águas, e a melhor maneira de preservá-la".
Além disso, o especialista enfatiza que essa recuperação de registro do tubarão-lixa é importante para entender a presença da espécie, mesmo que rara, na região. "É uma luz no sentido da gente desenvolver outros trabalhos nessa metodologia, no que se refere a conservação de tubarão e raias".
Santos afirmou, ainda, que o trabalho publicado por eles pode abrir portas para que outros pesquisadores possam encontrar a espécie vivendo em áreas semelhantes.
"Nossa ideia é tentar determinar o tamanho da população que está aqui, a proporção sexual, o estágio de maturação desses bichos, se podem estar reproduzindo aqui - é plausível que não estejam - mas a gente precisa avaliar na pesquisa".
A pesquisa, que foi realizada pelo Laboratório de ictiologia e Peixes Neotropicais da Unesp de Registro, no interior de São Paulo, e do Laboratório de Pesquisa em Elasmobrânquis da Unesp de São Vicente, do litoral de São Paulo, bem como o estudo conduzido pelos doutores Paulo Santos, Otto Gadig e Domingos Garrone-Neto, e da técnica Kaliandra Klafke, foi publicada no no Journal of Fish Biology.